Exigências podem dificultar crédito para motoboys

A Caixa Econômica Federal lançou na semana passada uma linha de crédito para financiar novos veículos para motoboys. Mas, apesar de atrativa, essa linha pode não ser tão acessível. As exigências feitas pelo banco, para os motoboys, que precisam ter vínculo empregatício ou, no caso de autônomos, ser inscritos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deixaram a categoria e lojistas do setor de motos pouco otimistas. Mesmo assim, há quem estime aumento nas vendas de motocicletas entre 15 e 20%, se a burocracia não for uma pedra no meio do caminho.A linha de crédito oferecida pela Caixa Econômica Federal (CEF) pode ser utilizada para a compra de motocicletas zero quilômetro de até 150 cilindradas, no valor máximo de R$ 8 mil. O empréstimo será destinado a 80% do bem, corrigido pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 12% ao ano para financiamento de 36 meses e TJLP mais 18% ao ano, no caso de financiamento com prazo de 37 a 48 meses.Para esta linha de crédito, a Caixa irá disponibilizar R$ 100 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador. As operações podem ser contratadas até 30 de junho de 2010 ou até quando os recursos estiverem disponíveis.Entre as exigências feitas para a liberação do crédito está a comprovação de que o motociclista atua como entregador de mercadorias ou documentos, através de vínculo empregatício ou inscrição do INSS. Já as motocicletas devem apresentar itens de segurança regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito, como freio a disco, baú com reflexivo, colete e capacete. Além disso, será obrigatória a contratação de seguro. Mesmo com tantas exigências, o presidente da Cooperativa Expresso Moto, Ivanildo Dantas, comemorou o lançamento das linhas de crédito. Segundo ele, os motoboys precisam trocar de motocicleta a cada três anos, mas muitos não têm condições para isso. “Geralmente o motoboy termina de pagar uma moto e compra outra. Com a linha de crédito facilita”, afirma. A cooperativa presidida por Ivanildo Dantas reúne 80 motoboys, mas ele estima que em Natal sejam cerca de 1.500 profissionais trabalhando no ramo.Os lojistas ainda estão cautelosos nas comemorações. Para o gerente geral da Cirne Motos, Thiago Bezerra, a linha de crédito tem alguns dificultadores, como a exigência do registro e o financiamento de apenas 80% do bem.Ele explica que algumas lojas já trabalham com financiamento de 90% ou a venda sem entrada. “Ainda estamos temerosos por causa desses dificultadores porque sabemos que a maioria dos motoboys não possui registro e também consideramos 20% de uma motocicleta um valor alto para esses profissionais”, explica Bezerra.O gerente geral da Potiguar Honda, Leonardo Melo, compartilha da opinião. Ele também expõe a exigência da comprovação do exercício da atividade como um fator dificultante. “Mas se não for tão difícil essa comprovação, acredito que a linha de crédito pode incrementar entre 15 e 20% as vendas de motocicletas”. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da CEF, mas foi informada que a área responsável só poderia passar as informações hoje, porque ontem foi feriado em Brasília.Taxistas também ganham linha específicaO Banco do Brasil começou a contratar também na última semana operações na linha de crédito para taxistas. Serão disponibilizados R$ 200 milhões para financiamento de veículos novos de passageiros ou de uso misto, de fabricação nacional, para profissionais dessa categoria. O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários e Táxis do Rio Grande do Norte, Alex Manguinho, considera a linha de crédito “maravilhosa”. De acordo com ele, o crédito foi uma reivindicação do setor. “Os juros são baixíssimos e facilita na renovação da frota”. Manguinho acrescenta que apesar da frota do estado ser uma das mais novas do país, os taxistas sempre estão interessados em renovar os carros, em período médio de três anos.CPFEm Natal, existem 1.010 táxis. O presidente do Sindicato não soube precisar qual a frota do estado. A operação oferecida pelo Banco do Brasil aos taxistas é individual e limitada a um veículo por CPF. Os veículos com direito a financiamento devem ser equipados com motor de cilindrada até dois mil centímetros cúbicos (2.0). Os recursos são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e podem ser contratados por pessoas físicas correntistas do Banco do Brasil, titulares de autorização, permissão ou concessão do poder público para o exercício da atividade de taxista. A taxa de juros da linha FAT Taxista é de Taxa de Juros de Longo Prazo mais 4% ao ano, equivalentes a 0,84% mensais.A linha permite o financiamento de até 90% do valor dos itens financiáveis, veículo, no valor máximo de R$ 60 mil e seguro inicial do veículo.

Karla Larissa - Repórter

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