Prefeitura de SP discute restrições às motos; motofaixa Vergueiro fica pronta em abril

O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Alexandre de Moraes, se reuniu nesta sexta-feira com representantes do sindicato dos motoboys e do sindicato das empresas de distribuição e entregas para discutir as novas regras para circulação de motos na cidade. Inicialmente, as novas determinações são válidas para o tráfego dos veículos na marginal Tietê e na motofaixa Vergueiro.
Após a conclusão das obras de ampliação da marginal Tietê, prevista para o final de março, as motos serão proibidas de circular pela pista expressa, nos dois sentidos.
"Não haverá mais possibilidade [de trafegar] por questões de segurança. Nós mostramos os índices, mostramos toda a análise técnica, os estudos que comprovam que nós teremos com essa medida, somada a diminuição da velocidade dos caminhões na via expressa da marginal de 90 km/h para 70 km/h, a queda em 78% dos acidentes envolvendo principalmente os motoboys", diz Moraes.
Logo depois, no início de abril, está prevista a inauguração da motofaixa Vergueiro --que passa pela rua Sena Madureira, rua Vergueiro, avenida Liberdade e praça João Mendes-- e vai restringir a circulação das motos na avenida 23 de Maio, entre a sede do antigo Detran e o vale do Anhangabaú. Ao todo, a faixa terá 7 km de extensão (3,5 km em cada sentido).
Os motociclistas terão 90 dias de adaptação da nova norma na motofaixa e após esse período, caso sejam flagrados trafegando no local, serão multados em R$ 53,20 e perdem três pontos na carteira pela infração.
Já na marginal Tietê, a regra passa a valer no dia de inauguração da nova pista. Segundo o secretário, os motociclistas possuem atualmente sete faixas na marginal para trafegar. A partir da inauguração, das 11 faixas, eles continuarão tendo sete disponíveis, mas somente nas pistas local e central. O objetivo da medida é a diminuição do número de vítimas no trânsito. Apenas na marginal Tietê, as motocicletas representam 70% dos acidentes que ocorrem na via.
A prefeitura também vai informar os motociclistas sobre as alterações através de uma cartilha com as razões das mudanças, que traz índices do número de acidentes que ocorrem no trânsito. No ano passado, o trânsito de São Paulo matou 1.382. Os pedestres foram as maiores vítimas: 671 morreram em acidentes, além de 428 motociclistas, 222 motoristas ou passageiros e 61 ciclistas.
Gilberto Almeida dos Santos, presidente do sindicato dos motoboys, diz que apesar de não ter uma faixa exclusiva para os motociclistas na marginal Tietê, concorda com as medidas adotadas. "Nós vamos continuar andando nas mesmas sete faixas com uma qualidade de não ter caminhões, que estarão nas novas faixas e não temos do que reclamar", justificou.
Santos, que é motoboy há dez anos, diz que o papel do sindicato é a conscientização da categoria, regulamentação e que luta pela implantação de placas vermelhas para os motoboys, para diferenciá-los dos motociclistas.
Já Marcos Ribeiro, representante do SEDERSP (Sindicato das Empresas de Distribuição de Entregas Rápidas do Estado de São Paulo), fala que a mudança será vantajosa para as empresas, pois elas passarão a valorizar a vida dos funcionários.
Apesar dos discursos politicamente corretos, a realidade dos motoboys que trabalham nas ruas de São Paulo é bem diferente. Eles têm um curto período de tempo para fazer suas entregas e garantir o salário do mês.
O motoboy Carlos Alves, 30, diz que vai perder dinheiro com as determinações, já que cada minuto perdido é prejuízo financeiro. "Eu não concordo com as mudanças. Vai aumentar o tempo de viagem por causa dos semáforos e risco de atropelamento", argumenta, referindo-se à proibição na 23 de Maio.
São Paulo já tem uma faixa para motos na avenida Sumaré (zona oeste), mas a pista do centro até a região da Vila Mariana é a primeira das oito novas que são previstas pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Fonte.: Folha Online

Postagens mais visitadas deste blog