Dentistas montam consultório sobre moto para driblar trânsito em SP

Serviço atende clientes 24 horas por dia e usa localização por satélite.
Consultório permite fazer desde simples extração até tratamento de fratura.




O trânsito caótico em São Paulo deu origem a mais um serviço: o moto-odonto, ou consultório odontológico sobre motocicleta. Funciona assim: o paciente com dor de dente liga a qualquer hora do dia ou da noite para uma central telefônica que aciona um dos 100 dentistas credenciados na Grande São Paulo. A central mobiliza o dentista que mora ou trabalha mais próximo do local onde está o cliente. Enquanto o dentista se desloca de carro, a moto-odonto mais próxima, localizada por GPS, leva o consultório dentário para o endereço indicado.

A caixa tem todos os motorzinhos, pinças e sugadores que caracterizam um consultório fixo. O equipamento permite fazer de extrações, curativos, drenagem e controle de hemorragias, tanto em residências quanto em locais de trabalho ou lazer. O prazo de atendimento é de no máximo 30 minutos.

Como funciona:

Motoboy tem prazo de meia hora para chegar ao
local do atendimento.

Ele desembarca a caixa de 25 kg com os
instrumentos usados pelo dentista

Caixa tem equipamentos para fazer extração e
procedimentos de urgência.

Dentista que se desloca de carro vai até o local
e inicia o tratamento (Fotos: Roney Domingos/G1)

"São Paulo é uma metrópole com população muito grande e um trânsito bastante complicado. O importante era chegar o mais rápido possível, tanto equipamento quanto dentista. Quem está com dor de dente tem de ser atendido o mais rápido possível", diz o diretor técnico da empresa SOS Dental, franquia fluminense que traz o serviço para São Paulo, Kikuo Sato.

O presidente do Conselho de Ética do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, Ideval Serrano, afirma que já viu atendimento em vans, mas nunca sobre motos. "Acho que se a pessoa for necessitada pode ser bom. Ajuda um pouquinho, mas nada como ter consultório em uma clínica bem montada", afirmou. Ideval afirma que o serviço pode contrariar a norma SS 15 , do Ministério da Saúde, que estabelece as normas para a prestação de serviços odontológicos.

Colega de Sato, a diretora técnica Carina Scapin explica por que o equipamento vai sobre a moto e não com o dentista. "Se o consultório fosse com o dentista, teríamos que ter um equipamento para cada profissional. O equipamento tem de voltar para a central para ser desinfectado, esterilizado", afirmou. De acordo com ela, quase todos os instrumentos são importados e o baú foi especialmente desenvolvido para suportar o consultório ambulante.

Cada uma das dez motos equipadas com consultório móvel têm de ter uma licença especial da prefeitura para transportar o equipamento, que pesa 25 quilos. O gerente de novos negócios da empresa que presta o serviço, Marcelo Mariano, afirma que as motos foram padronizadas para atender as exigências da prefeitura e os motoboys passaram por treinamento para o serviço.

"É mais fácil levar uma pessoa de 120 quilos do que levar um equipamento de 25. O baú tem dimensões determinadas pelo Departamento de Transporte Público. Depois de várias tentativas conseguimos chegar a um peso ideal e adequado para o transporte", afirmou. Um dos motoboys treinados para o atendimento, José Ricardo Malavazi da Silva, afirma que sabe a responsabilidade que terá pela frente. "Já tive dor de dente', brinca.

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