Motoboy Abandonado ataca

Morador da Zona Leste joga brinquedos embrulhados nos quintais para as pessoas doarem a crianças carentes da região

Moradores da Zona Leste, atenção: em breve vocês podem ser surpreendidos com uma caixa de presente jogada no chão do quintal. Apesar de ser estranho, não se preocupem. Tudo é obra do Motoboy Abandonado, personagem criado há sete anos pelo entregador de revistas José Roberto Souza Barros, que prefere não revelar a idade nem sua aparência física.

Morador da Vila Ema, na própria Zona Leste, o motoqueiro compra brinquedos, embrulha em uma caixas enfeitadas e entrega na casa de famílias da classe média durante a madrugada com uma carta pedindo que o presente seja destinado a uma criança carente.

A ação de José Roberto custa R$ 400 por mês, dinheiro esse que corresponde a 40% do seu salário. "Todo o bônus que recebo da empresa, inclusive meu 13 terceiro, vai para o
projeto", conta.

Além da compra dos brinquedos, o motoboy gasta com os papéis de presente, a gasolina da moto e os envelopes colocados dentro de cada pacote. "Quando me perguntam por que eu não uso o dinheiro comigo, digo que não há maneira melhor de investir meu salário do que fazendo isso. É um presente para mim."

Apesar do carinho que tem pelas crianças, o motivo que realmente levou o motoboy a iniciar o trabalho social e ganhar o nome de "abandonado" foi o fim de um relacionamento de seis anos. "Achei que não teria mais vontade de viver, mas descobri que a alegria está em fazer os outros felizes ", fala .

Com imaginação e força de vontade, o motoqueiro recentemente começou a colocar em prática o seu novo projeto social: dar moedas de R$ 1 para as pessoas comprarem um brinquedo e doarem. Uma carta também é entregue.

"Como só tenho uma moto, fica difícil comprar e distribuir uma quantidade grande de presentes. Por isso, decidi entregar uma moeda para as pessoas fazerem isso sozinhas".

Neste Dia da Criança, José Roberto espera entregar 40 brinquedos, o dobro do ano passado. Entretanto, ele prefere não mostrar o rosto. "A ideia é que meu personagem seja como um super-herói que não precisa se mostrar para ter o carinho das pessoas", diz.

Segundo ele, seu próximo projeto é abrir um buffet com brinquedos para que as crianças passem um dia "dos sonhos" com a família.

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