Estradas de SP têm radares invisíveis

Às escondidas. Assim funcionam radares de fiscalização de limite de velocidade em trechos das Rodovias Anhanguera, Ayr­ton Senna, dos Bandeirantes, Dom Pedro I e Governador Carvalho Pinto, que ligam a capital ao interior e ao litoral paulista. Os equipamentos estão atrás de passarelas, placas, painéis e estruturas de sustentação de pórticos.
A localização dos radares contraria resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que determina a instalação em pontos onde o motorista possa vê-los. O Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP), porém, defende que eles estão em situação regular. “Na verdade, isso é um crime, é lesar o contribuinte”, queixou-se o advogado Reinaldo Azevedo, de 38 anos.
As cinco estradas em questão são administradas por concessionárias e têm, no total, 193 radares, entre visíveis e “invisíveis”. A Rota das Bandeiras, responsável pela Dom Pedro I, e a Autoban, que cuida da Anhanguera e da Bandei­rantes, informaram que somente instalam os radares. A Ecopista, gerenciadora da Ayrton Senna e da Carvalho Pinto, alegou que os ra­dares cumprem as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), cujo papel é fiscalizar as estradas concedidas a empresas privadas, diz que sua tarefa se resume a verificar se os radares foram ou não comprados e se a manutenção é efetuada.
Quem escolhe onde será colocado cada radar é o DER. Ques­tionado, o departamento argumentou, em nota, que os equipamentos mencionados atendem às Resoluções 146 e 214 do Contran. O saldo de multas aplicadas em 2009 nas vias não foi informado. Mas as resoluções disponíveis no Departamento Nacional de Trân­sito contradizem o DER. O 2.º parágrafo do artigo 3.º exige estudo técnico para comprovar a necessidade do equipamento e que o mesmo tenha ampla visibilidade.
Indispensável. Monitoramento controla os abusos - Motoristas defendem radares visíveis e especialistas, invisíveis. “O radar evita acidentes, mesmo que a pessoa acelere um pouco”, afirmou o biomédico Márcio Pincinato, de 32 anos. “Antes de nos preocupar com equipamentos, deveríamos nos preocupar com a velocidade”, disse o presidente da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito, Sérgio Médici. O inglês Philip Gold, consultor em segurança de tráfego, é a favor da colocação de radares à mostra para os motoristas em estradas com curvas perigosas e longas descidas.


Escrito por Gazeta do Povo - PR

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