Profissionais do trânsito dizem que respeito é a chave

Taxistas e motoboys, que lidam com congestionamentos todo dia, apontam 23 de Maio e Marginais como as piores vias de São Paulo

Nas intermináveis horas de trânsito que o paulistano enfrenta, há alguns representantes incontestes da relação de amor e ódio das ruas abarrotadas: motoboys e taxistas. Se são eles os alvos preferenciais de buzinadas e ofensas, eles também salvam o dia quando é preciso entregar um documento do outro lado de São Paulo ou economizar aqueles minutos preciosos no corredor de ônibus na hora do rodízio. Os profissionais do trânsito transformam em sustento o principal contratempo da metrópole. E apontam as piores vias: Marginais do Tietê e do Pinheiros e Avenida 23 de Maio.


"O pior do trânsito de São Paulo é a falta de bom senso", diz Willian Andreoli, de 24 anos, há 5 como motoboy. Na sombra das árvores da Avenida Ipiranga, ele papeava com colegas de profissão sobre os perrengues sobre duas rodas. "A cidade está cada dia mais lotada. Eu levava 40 minutos de Poá (na Grande São Paulo) até o centro um ano atrás. Agora levo mais de uma hora. E isso de moto." Antonilson Barbosa tem oito anos de motoboy. "E ainda não aprendi a andar em São Paulo."

Apontar problemas do trânsito até que é fácil. Mas os motoboys apresentam suas sugestões, pouco ortodoxas, de solução. "Se todo motorista de carro andar de moto por um mês, resolve tudo. Eles entenderiam nosso lado e a gente viveria em paz", propõe Antonilson.

Marcos Siqueira, de 28 anos, motoboy há cinco, é menos conciliador. "Os carros é que fazem o trânsito. Nós só costuramos. Eles são as veias, nós, os lactobacilos vivos", diz, com uma frase do personagem motoboy do comediante Marco Luque. "A Marginal do Tietê é o pior lugar para o motoboy. Só podemos circular nas pistas locais e tem muito caminhão. É onde é mais perigoso. Tinha de tirar os carros e os caminhões todos da rua."

No carro. Com muitos anos a mais de trânsito, o taxista Osmar Montor tem outro astral ali no lado oposto da Avenida Ipiranga. São mais de três décadas de praça. "O segredo é manter o bom humor sempre. Para Montor, com tantos carros na rua, os motoristas se tornaram menos gentis. "E os motoboys também não respeitam ninguém." Ele diz que a salvação do trânsito, pelo menos para os taxistas, são os corredores de ônibus.

No mesmo ponto, Luiz Antônio da Silva aguardava, sossegado, o próximo passageiro. Há 15 anos como taxista, Silva aponta uma consequência grave do trânsito carregado: a conservação das vias. "O asfalto está péssimo. Os semáforos quase não funcionam." Além disso, ele diz que, antigamente, os "marronzinhos" eram mais eficientes na organização do tráfego. "A CET não orienta mais, só multa."

Os taxistas contam que na Avenida 23 de Maio e nas Marginais os carros velhos atravancam o trânsito. Mas, apesar do nervosismo diário nos congestionamentos da metrópole, dizem amar o que fazem. "Se não amasse, não estaria na rua há tanto tempo", afirma Montor. Silva completa: "O contato com as pessoas compensa o estresse."


Fonte: ESTADÃO

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